ECONÔMICO E FINANCEIRO

Cenário Macroeconômico

Mundo

Logo em seu início, 2017 trouxe a posse do presidente norte-americano Donald Trump, no dia 20 de janeiro. Com uma agenda protecionista e nacionalista, seu governo ameaçava elevar os riscos geopolíticos internacionais como apontaram alguns eventos ao longo do ano que aumentaram a volatilidade dos mercados. Na prática, porém, os danos ficaram mais no campo do discurso sem avançar para ações concretas.

A Europa vivenciou a recuperação de seus indicadores econômicos, com idas e vindas durante o ano nos diferentes países, chegando ao final de 2017 com ótimos resultados e perspectivas. Tanto a indústria quanto o setor de serviços tiveram expansão e, na pauta das reformas necessárias em muitas nações, o destaque ficou com a França, onde o presidente eleito Emmanuel Macron vem acelerando a discussão de mudanças em vários setores.

Pela primeira vez em dez anos, em 2017, todos os países do G20 (que responde por 85% da economia mundial) apresentaram crescimento. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o PIB do G20 teve alta de 3,8% no conjunto. A economia global como um todo seguiu sua trajetória de aceleração e, após expansão de 3,2% em 2016, chegou a 3,7% em 2017, conforme dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). A ausência de pressão inflacionária também marcou as principais economias globais.

O PIB norte-americano cresceu 2,3% no ano e a taxa de desemprego atingiu seu menor nível em 17 anos, com 4,1%, em dezembro. Enquanto isso, o PIB da China, segunda maior economia do mundo, teve variação positiva de 6,9% em 2017 – o primeiro crescimento em relação ao ano anterior em sete anos. O governo chinês tem reafirmado sua tolerância com níveis menores de crescimento, desde que acompanhados de fundamentos mais sólidos e sustentáveis. No Japão, o índice registrado ficou abaixo das expectativas, mesmo assim houve elevação do PIB de 2,5%.

Brasil

Já no cenário brasileiro, o ano de 2017 foi marcado pela reversão da piora dos indicadores econômicos. Foram meses de grande instabilidade, com oscilações constantes nos índices de confiança e de atividade, mas o Brasil sobreviveu ao pior e parece estar pronto para uma retomada. Apesar das incertezas no campo político, os avanços foram perceptíveis no panorama econômico.

O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1%, na primeira alta depois de dois anos de retração. O grande avanço veio do agronegócio, com 13%, impulsionado pela safra recorde. O consumo das famílias também foi outro indicador positivo, com elevação de 1%. A despeito da estagnação da indústria em relação a 2016, a recuperação em alguns segmentos, mesmo com índices baixos, aponta para um cenário mais positivo: 0,3% no setor de serviços, 1,8% no comércio e 1,1% no imobiliário.

As contas externas permanecem favoráveis. O deficit em conta corrente, que alcançou 4,2% do PIB em 2014, foi de 0,48% do PIB em 2017. O governo federal fechou o ano com um deficit primário de R$ 124,4 bilhões (1,9% do PIB), melhor que a meta de R$ 159 bilhões de deficit e que o resultado de 2016, de 2,6% do PIB, porém em patamar que eleva a dívida bruta, que era de 70% do PIB em 2016, a 74,4% do PIB no fechamento de 2017, consequência do recorrente desequilíbrio orçamentário.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2017 registrou uma taxa média de desocupação de 12,7%, a maior da série histórica do IBGE que começou em 2012. Vale ressaltar, porém, que o índice foi decrescente ao longo de todo o ano.

Em relação à inflação, o IPCA fechou 2017 em 2,95% – o que representa o menor resultado desde 1998. Com a queda da inflação, ocorreu também a redução da taxa básica de juros Selic que, após dez cortes sucessivos, chegou a 7%, nova mínima histórica desde a adoção do regime de metas para a inflação, em 1999.

2017 pode ter sido, assim, um ano de mudança de rumo, no qual o país conseguiu superar uma de suas piores crises. O Brasil entra, portanto, em 2018 pronto para uma recuperação econômica mais profunda, a ser confirmada pelo cenário político e seus desdobramentos.

O setor previdenciário

Das diversas mudanças ocorridas em 2017, o maior impacto do ano para o setor foi, sem dúvida, o adiamento da votação da reforma da Previdência. O resultado dessa decisão, fruto das acomodações do cenário político do país, é que o deficit da Previdência Social somou R$ 268,79 bilhões em 2017, considerando o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e os servidores públicos da União. Esse total é a adição de dois recordes históricos: o deficit do INSS, de R$ 182,45 bilhões (contra R$ 149,73 bilhões, em 2016), e dos servidores, de R$ 86,34 bilhões (contra R$ 77,15 bilhões, em 2016).

Ou seja, o rombo de 2017 é mais de 18% superior ao registrado no ano anterior. Em percentual do PIB, o deficit do INSS foi de 2,4% (2016) para 2,8% (2017), acentuando a necessidade urgente de mudanças nas regras do setor que precisa ajustar a concessão de benefícios da Previdência Social à nova realidade demográfica do país, de aumento da expectativa de vida e queda dos índices de natalidade.

Nesse contexto, a importância da previdência complementar para a construção de uma aposentadoria segura é ainda mais relevante. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp) em seu último Congresso, em outubro de 2017, o Brasil tem, em termos absolutos, o 10º maior sistema de previdência complementar do mundo. São 307 entidades, com mais de 3.195 patrocinadoras (68% delas são empresas privadas), administrando mais de 1.130 planos de benefícios. Trata-se de um setor de alta solvência que paga regularmente benefícios superiores a R$ 42 bilhões por ano, atingindo mais de 7 milhões de pessoas, com reservas acima de R$ 810 bilhões, equivalentes a 12,9% do PIB, e mais de R$ 133 bilhões investidos em Bolsa de Valores, contribuindo, portanto, para o crescimento da economia nacional.

Para os especialistas do setor, é urgente que ocorra o fomento e aperfeiçoamento do sistema, com a maior divulgação de seus benefícios aos participantes e patrocinadoras, o incentivo à criação de novos modelos de planos e a flexibilização da tributação, entre outros estímulos à expansão.


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